sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Reestruturando...

Em meados do ano passado (2008), criei este blog com o objetivo de discutir alguns assuntos que considero importante para melhor compreender nossas realidades.

Desde a primeira postagem, tentei elaborar textos para estimular discussões sobre assuntos como Jornalismo, Política, Cultura, Teatro, Música, História, entre outros. Assim, minha proposta era fazer com que os textos contribuissem para a reflexão dos leitores, visando um diálogo constante entre eles. Eu, como idealizador e autor desta página,também me considero sobretudo leitor destes textos. Desse modo, eu estou aprendendo através dos meus próprios textos e da opinião dos leitores do Cálice.

Por considerar esta proposta razoável, manterei este mesmo objetivo, pois acredito que este é o método mais viável para uma constante reflexão acerca dos temas que me proponho a discutir neste espaço, seja através dos meus próprios textos ou da opinião dos leitores. Sendo assim, os leitores são fundamentais para mim e para o Cálice.

Entretanto, alguns leitores me sugeriram que eu mudasse a forma de construir os meus textos. Por considerá-los parte integrante do projeto, resolvi adaptar o blog para atender as expectativas deles e as minhas também. Afinal, sem os leitores a proposta do Cálice morre na praia. Segundo eles, os textos eram "densos demais". E como forma de agradá-los e fazê-los sentir prazer em refletir sobre os temas, tentarei, já na próxima postagem, mudar a forma de escrever - e espero não decepcioná-los.

Agradeço a todos que lêem o Cálice. Compreendo que alguns não gostem de opinar, mas continuo insistindo para que dêem "um cálice de opinião, sem gelo, por favor", pois sem sugestões, críticas e elogios não há movimento. No meu modo de pensar a vida é um constante movimento e, portanto, uma constante transformação. Como dizia o auspicioso Simón Rodriguez, escritor e pensador venezuelano: "Ou inventamos ou erramos". Nesse sentido, meu esforço é fazer valer esta máxima, pois através da discussão podemos inventar um mundo feliz e harmônico.

Embora isto seja uma gota de esperança em um oceano de horror, eu acredito que tudo que é grande começa pequeno. E isto estimula minha esperança na construção, tijolinho por tijolinho, de um mundo cada vez melhor para nós mesmos.

Muito obrigado!

Peço que me ajudem a divulgar.

Em breve, novas postagens. Aguardem!

P.S.: Por falta de tempo não estou atualizando o blog com muita frequência, mas farei o possível para manter uma razoável regularidade.

João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Audiovisual e a História: Desmistificando Mitos?

Atores ímpares sempre estiveram presentes no palco da História. No entanto, estes personagens foram mitificados pelos véus que revestiam a própria História através do tempo: a subjetividade e o poder. Alguns aspectos compõem o véu do poder de maneira essencial para a compreensão dos dramas e contradições acerca das figuras mais eminentes dos últimos séculos.


As relações de poder estão diretamente ligadas ao processo de manipulação de dados. A escassez de recursos audiovisuais para a ilustração dos dados contribuia para que os historiadores bem intencionados não conseguissem expressar de modo fiel suas leituras sobre determinados fatos. Se outrora a fotografia, com todo seu verniz de subjetividade, sustentasse os estudos históricos, atualmente, porém, os historiadores possuem novas armas para combater os mitos: o audiovisual.

As mídias evoluíram abruptamente em meados do século passado. Embora esta revolução ainda não esteja suficientemente madura para uma reflexão sólida, podemos ponderar hipoteticamente a respeito das relações entre o Homem, a História e o desenvolvimento do audiovisual.

Na década de 1930, Walter Benjamim, através de seu referencial marxista, concluiu que a percepção humana é ao mesmo tempo o fim e o meio das relações entre Homem e História. Neste cenário, o audiovisual sem dúvida já caracterizava um sistema diferente de apreensão e comunicação. Foi assim que a tecnologia abriu um leque de perspectivas ainda não vislumbradas pela História. Usada de modo eficaz, a imagem em comunhão com áudio tem o poder de constituir ou reconstituir leituras mais fidedignas da realidade observada não somente pelo historiador, mas pelo espectador que constrói e é construído pela História.

A produção histórica, após a chamada Revolução Digital, na última década do século passado, não se dá apenas sobre o olhar do historiador, mas também - e com uma intensidade quase equivalente - sob a visão daquele cidadão "prosaico" que torna comum a singularidade de sua leitura sobre a realidade política e/ou social ao demonstrá-la em um blog ou em um site de relacionamento. Desse modo, a tecnologia contribui consideravelmente para este novo arranjo da produção história. E nesse sentido o audiovisual é uma ferramenta fundamental na medida em que há uma notável transformação de valores e conceitos. Em linhas gerais, a imagem, à medida que produz sentido, é História e, concumitantemente, faz História.

Embora o audiovisual - produto e produção do contexto histórico - mantenha a subjetividade como principal atributo, semelhante uma arte especialmente abstrata, onírica e impalpável, ele é, apesar disso, uma espécie de chave-mestra que pode abrir diversas portas na busca pela perfeição da ciência e na desconstrução dos mitos que interferem diretamente nas ações humanas.

Não se pode saber, ao extremo, até que ponto a realidade é mítica ou o mito é real. Porém, de certa maneira, as razões que levaram à construção destes mitos são basicamente de cunho político. Apesar disso, a tecnologia pode contribuir para que os próximos personagens da nossa História sejam interpretados de maneira mais sincera.

É importante salientar que a História é construída por contradições, pois ela se baseia no objeto mais plural das ciências: o próprio homem. E quando se trata de hipóteses, contradições e jogos de poder a melhor alternativa para uma boa leitura do passado é manter os olhos atentos e argutos, mas quando se trata de cabeças esperançosas, o melhor mesmo é acreditar que no futuro os mitos podem se tornar o maior dos mitos.

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

As Relações Sociais nas Redes Digitais.

As redes sociais, sobretudo o Orkut, são um sucesso no Brasil. Segundo um Estudo da consultoria comScore, 85% dos internautas brasileiros visitam alguma rede social. Além disso, o Brasil está na segunda posição no raking de países que mais acessam as redes sociais, perdendo apenas para o Canadá. Se por um lado estas constatações mostram que o "analfabetismo digital" do brasileiro foi praticamente superado, por outro lado sustenta a idéia de que as relações humanas - no mundo inteiro - estão cada vez mais virtuais.

A atual estrutura social e econômica estimula relações descartáveis e efêmeras em todos os aspectos da vida material. Por conta disso, se já não bastasse, a destruição criativa, típica do sistema capitalista em seu estágio imperialista, desperta a idéia de "eterno recomeço" como regra para as variadas formas de interação social. Logo, esta lógica também se sustenta quando se trata de relacionamentos amorosos.

Ora, aqueles velhos valores de "casar e ter filhos" são histórias da vovó. Nas redes sociais o "barato" é outro. A juventude está de "cara nova" e para ficar "descolada" precisa seguir as tendências do mundo digital. Longas "declarações de amor" são frequentes nos namoricos de Orkut. Alguns destes "casais digitais" mal se vêem na vida real e, às vezes, nem se conhecem pessoalmente, vivendo namoros de fachada para se adaptarem ao contexto deste novo "espaço".
Os adultos também estão "na onda". Estes, na melhor das hipóteses, vêem uma pequena chama de um amor com código de barras e, consequentemente, com prazo de validade. As relações estimuladas pelas redes digitais, de modo geral, não têm verdadeira sentimentalidade e se resumem em mera relação propulsora para um certo tipo de prestígio social e, por vezes, monetário. Além disso, há casos de namoros reais acabarem por conta de intrigas criadas nas redes, sendo que nem sempre as desavenças têm fundamento. Ou seja, é o virtual tomando de assalto tudo o que acreditávamos ser real.
As relações humanas sugerem riscos e ansiedades através do simples ato de conviver, contudo, na superficialidade das dinâmicas sociais modernas, o "desconvívio" também paga seu tributo. A conclusão mais coerente sobre esse constante e passageiro movimento de "apaixonar" e "desapaixonar", "comprar" e "vender", é que o ser humano vive cada vez mais solitário na multidão. Em suma, não há identidade. Há apenas ilusões e um tremendo fluxo de informação que não informa. E, mesmo assim, a população tenta encontrar uma luz no fim do túnel através de um caminho calcado na eterna falta de amor criada pela infinita vontade de amar.
Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Século XXI: O Século da Interrogação!?

A primeira década do século XXI está chegando ao fim e ainda assim não temos uma idéia concreta sobre o futuro da sociedade humana. Há muitas nomenclaturas para o "século da interrogação". No entanto, há pouca clareza no que se refere aos problemas da realidade.

Nem a Filosofia nem a Ciência conseguiram alcançar respostas substanciosas sobre os impropérios da vida social moderna. Alguns falam em "pós-modernismo", outros em "cybermodernidade", mas tudo isso desagua na simples idéia de indefinição.

Em uma megalópole como São Paulo, milhões de pessoas, além de trabalhar no mínimo 8 horas por dia, perdem horas em ônibus e metrô. Se um cidadão acorda às 5 da manhã para chegar ao trabalho às 7, almoça fora de casa e ainda enfrenta uma tremenda maratona para chegar em casa às 19, - levando-se em consideração que um ser humano necessita em média de 8 horas para dormir - parece óbvio que este cidadão não tenha tempo para si mesmo e, assim, também não haverá tempo para pensar sobre os problemas ambientais e sociais que o afligem. É o instinto de sobrevivência, pois a necessidade essencial de um homem adulto é alimentar sua família. Por este prima, o problema se mostra ainda mais complicado.

Talvez este seja o grande empecilho, em um mundo globalizado em que só se vê um totalitarismo latente subsidiado pela falta de esperança, para que a América Latina tome as rédeas do desenvolvimento humano que sempre se manteve coadjuvante diante da prepotência arrogante dos europeus e do fetichismo insensato dos norte-americanos. Pois nas cabeças do terceiro mundo há esperança. E há, sobretudo, resistência.

Com a crise econômica mundial a situação se agravou consideravelmente, visto que a principal consequência da atual "crise" é uma maior estratificação social e, consequentemente, o aumento do custo de vida daqueles que mantinham uma situação econômica "aceitável".

Os principais meios-de-comunicação maqueiam a verdade e insistem na balela de que o desnecessário é imprescindível. Muitos literatos do século XX, como os ingleses Aldous Huxley e George Orwell, concebiam "visões de futuro" que, nos dias de hoje, são uma gigantesca lacuna. A revolução digital contribuiu efetivamente para aumentar esta lacuna principalmente após a ascensão das redes sociais e da chamada cybergeografia.

Nunca houve um momento na História em que seja tão necessário uma revolução de pensamento, pois as circustâncias deixam claro que as definições são a única hipótese para que o maior número de pessoas compreenda a gravidade do problema.

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Profissionalização Globalitarista.

Hoje, no Brasil, as universidades com maior infra-estrutura e prestígio, como a USP (Universidade de São Paulo), formam, consequentemente, os melhores profissionais do país. Estes profissionais são disputados pelas maiores empresas do mundo que, por sua vez, buscam no mercado globalizado a mão-de-obra necessária para o desenvolvimento de seus empreendimentos. Seduzidos pelos altos salários e pelas melhores condições de trabalho, estes "melhores do mercado" encontram nas empresas multinacionais a oportunidade perfeita para o progresso na vida material.

A consequência mais direta desse processo é a fragilidade das potencialidades de um país. Os "saberes" ficam detidos nas mãos de poucos e, por conta disso, cria-se um oligopólio das técnicas que atropela todo o processo de desenvolvimento global, ou seja, esta globalização não se mostra global de fato. A principal característica destas "privatizações" dos conhecimentos técnico e científico é, em todos os aspectos, o desmantelamento desta noção "global", que se transforma, por sua vez, em microregionalização de poder. Toda esta lógica gira em torno do capital.

É fundamental que as universidades - principalmente as públicas - não sigam este modelo tecnocrata de mercado. Para isto, é preciso estimular políticas públicas para que as emigrações não sejam a única saída para os melhores profissionais.

Desse modo, nossas vidas culturais e, sobretudo, intelectuais se convertem, cada vez com mais intensidade, em produtos de prateleira de um mercado perversamente globalizado.

Forma-se profissionais para que sejam cidadãos que defendam os interesses nacionais ou apenas profissionais que trabalhem para quem paga mais? A resposta dessa simples pergunta está ligada essencialmente na formação acadêmica do profissional e na política de desenvolvimento nacional proposta pelo Estado.

Através destas análises, a oportunidade de mudança é o cerne da questão. Por meio das universidades pode-se criar novas perspectivas para se construir um mundo menos perverso.

Em suma, a Academia tem a obrigação de mostrar o que não deve ser feito - tomando como prioridade o desvinculamento com a tecnocracia globalitarista - por meio da compreensão das consequências que determinadas atitudes (intimamente ligadas na relação entre profissional e mercado) geram para o desenvolvimento dos bairros, das cidades, dos países e, sobretudo, das relações humanas em geral. A partir daí, a universidade desempenhará seu verdadeiro papel e proporcionará o retorno moral que toda sociedade humana merece e necessita: uma nova forma de encarar a realidade.

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Caricatura do Mundo Real.

Atualmente, os seres humanos produzem aproximadamente 400 milhões de toneladas de lixo por ano. No Brasil, cerca de 76% do lixo diário, que chega a 70 milhões de quilos, são despejados em céu aberto. Somente 10% vai para lixões controlados, 9% vai para aterros sanitários e somente 2% é reciclado. Basta? Não. O brasileiro tem o péssimo hábito de jogar todo tipo de lixo no chão. Estas atitudes são claramente nocivas, mas, por serem regra, passam despercebidas e acabam se transformando em trechos triviais da agitação da vida moderna.


Nas grandes cidades, o risco de inundação é frequente. Em cidades menores, como Alfenas, embora não haja risco considerável, o lixo levado pela água das chuvas também entope os bueiros (também chamados de bocas de lobo), impedindo, assim, o escoamento da água. É curioso perceber que as mesmas pessoas que jogam o lixo no chão reclamam quando os carros passam pela água acumulada nesses bueiros entupidos e fazem aquela "cachoeira": molhando o corpo e dando um tapa na cara da alma. Encontra-se aí uma contradição de valores. Desconhecimento ou hipocrisia?

Estamos preparados para cobrar do Estado coerência com suas principais finalidades? Estamos preparados para o amadurecimento das nossas instituições? Não, pois continuamos arraigados nos valores mesquinhos e na mentalidade tacanha, que nos ajudam, na melhor das hipóteses, a entender somente o presente, sem, no entanto, compreendê-lo de fato. E o futuro?

Desse modo, sem olhar para o passado nem tampouco projetar um futuro salutar, o homem se torna ínfimo feito um pontinho no meio do nada, que engole, mas não consegue digerir, os simples gestos de consciência, que deveriam nascer arbitrariamente através de uma educação que realmente eduque, e não mais brinque de criar caricaturas hipócritas de um mundo que deveria ser real, mas é, na verdade, mais uma das tantas tolas superstições.

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Assembléia Popular: Que horas são meio-dia? (2ª parte)

Toda atividade humana, principalmente de caráter empresarial, tem efeitos ambientais. Há algumas décadas, a geração de poluentes pelas empresas era entendida como uma consequência inevitável nos processos industriais, o que provocou um grau de deteriorização ambiental acentuado em muitas regiões do mundo.


Porém, nos dias de hoje, esse cenário se mostra cada vez mais insustentável. Os impactos ambientais levados a cabo pelo modo de produção capitalista ultrapassa tudo o que razoalvelmente entendemos - o tão falado "Aquecimento Global" é o principal exemplo.

A partir de 1972, na I Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, pensou-se no Sistema de Gestão Ambiental como alternativa para os problemas enfrentados pelas empresas: aumentar a produção sem alterar as condições naturais do meio ambiente. A resultante disso foi a criação de órgãos de proteção ambiental em diversos países. No entanto, a tentativa de controlar os impactos ambientais provocados pelas atividades capitalistas caiu por terra quando saiu do campo das idéias e experimentou o mundo prático. O capital é a chave-mestra que liga todas as engrenagens do Sistema.

Algumas empresas começaram a perceber que gerar resíduos é sinônimo de perdas econômicas a longo prazo, pois isto representa desperdício de matérias primas, água e energia, criando gastos adicionais com o tratamento, armazenamento e disposição final dos resíduos. Aquém dos riscos potenciais à saúde pública e ao meio ambiente, as empresas simplesmente ignoraram os órgãos de proteção, que, por sua vez, não se importaram com seu próprio intuito.

No seu estágio imperalista, o capitalismo, mais que expandir os mercados, quer manter as taxas de lucro e os antagonismos sociais no plano estratosférico. Os resíduos gerados pela produção - que podem provocar graves acidentes ambientais quando manuseados ou dispostos de forma inadequada - pouco importam desde que não alterem as taxas de lucro. Nessa concepção, o lixo é apenas uma consequência frívola aos olhos dos detentores dos meios de produção.

Enfim, parece claro que uma boa conduta ambiental é indispensável para uma relação salutar entre o homem e o meio. O setor industrial dá as costas às necessidades e dispensa perspectivas que não passem pelos caminhos da expansão do capital. Portanto, é dever das massas se revoltarem ante mais uma das aberrações geradas pelo capitalismo. A maioria pode vencer.

É hora de levantar da cadeira. É hora de ir às ruas. É hora de lutar por um Brasil, e um mundo, mais justo! A hora é agora! Que horas são meio-dia?

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.